Para se ser um bom professor tem de se ser um professor bom

Uma imagem vale sempre por mil palavras, mas por experiência própria sei que há pessoas que pelo convívio com crianças ou porque são crianças adultas muitas vezes alinham com o cruel humor infantil.

Lembro-me de colegas meus da escola serem ostracizados pelos professores por usarem cortes de cabelo exóticos, lembro-me de comentários infanto-juvenis de professores acerca das propriedades físicas dos alunos como se estivessem a falar dos filhos deles.
Lembro-me até do impacto da profissão dos pais – ou o sobrenome que envergavam – tinha no trato dado aos filhos na escola por alguns, poucos, professores. Mas deveras imbecis.

Mas lembro-me também de muitos professores bons que perante características físicas ou psicológicas de alunos menos abonatórias ou bastante pronunciadas, ou falta de destreza, nunca fizeram um comentário jocoso ou infantil, pelo contrário abriram caminho à superação. Refiro-me a educação física, mas também a educação visual.

Pelo contrário a Português tive um professor que teve o condão de afastar toda uma turma da escrita. Foi a excepção, mas foi marcante.

Nunca mais escrevi e tinha tido há pouco tempo uma boa nota a História de Arte por causa de uma composição…
A humilhação que este funcionário do ministério aguardava por fazer no dia da entrega dos testes, acção mesquinha a que o traste chamava de correcção dos testes, era o que o motivava ao longo do enfadonho ano lectivo. O professor vingativo…

A besta passava uma aula inteira a dizer que já ninguém queria saber do português, que éramos incultos e que o país caminhava para a desgraça. Não lhe interessava sequer o conteúdo. Como era o formalismo em pessoa, um professor desmotivante, castrador, enfadonho, distante e tecnocrata, procurava nos testes provas para a sua concepção maligna do mundo. Esperava pacientemente pela confirmação da sua teoria da conspiração. Tudo era tempos verbais errados, pontuação errada, estava tudo mal, éramos uns pecadores, mas como é claro, nunca mostrava como se fazia, apenas mostrava o erro, riscava os testes, nunca escrevia a solução, nunca dizia como se faz.
Um inseguro mestre de espantalhos.
Que lhe saiba bem a solitária reforma se entretanto não tenha mudado e que tenha feito bem a digestão do Nobel de Saramago, um escritor gramaticalmente não alinhado.

Fonte: Bizarre Art

Solidariedade entre professor e aluno

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