René Maltête (1930–2000) foi um fotógrafo e poeta francês que se destacou por fixar em película imagens insólitas e marcadas por um apurado sentido de humor.
A sua obra cruza a fotografia de rua com a literatura, criando composições que convidam à reflexão através do absurdo do quotidiano.



A Obra Fotográfica
As fotografias de Maltête baseiam-se na incongruência e no desencontro inesperado. O traço humorístico é uma constante no seu trabalho, mas, muito para além de uma simples caricatura visual, as suas imagens propõem uma verdadeira reflexão filosófica.
Entre as suas captações mais conhecidas, destaca-se uma imagem onde se vê, em primeiro plano, um sinal a indicar trabalhos na via e, em segundo plano, um homem a dormir profundamente sobre um monte de areia. Noutra fotografia famosa, um jogador de xadrez surge sentado frente a um grande espelho, criando a ilusão de que disputa a partida contra o seu próprio reflexo.
Obras Poéticas e Publicações
Ao longo da sua vida, Maltête publicou diversas coletâneas, misturando frequentemente os seus poemas com os seus registos fotográficos:
- Paris des rues et des chansons (1960, Éditions Port-royal/Robert Laffont; reeditado pela Pierre Bordas em 1995)
- Au petit bonheur, la France (1960, Éditions Hachette)
- Intervention à coeur ouvert (1962, Éditions Grassin)
- Graines pour les sans jardin (1980, Éditions Firmin-Didot)
- Scribouillages (1985, Plessier) — Poemas e fotografias
- Cent poèmes pour la paix (1987, Éditions Le Cherche Midi) — Prefácio de Bernard Clavel e capa de Roland Topor
- 100 poèmes pour l’écologie (1991, Éditions Le Cherche Midi) — Prefácio de Hubert Reeves
- À quoi ça rime ? (1995, Éditions Donner à voir) — Poemas e fotografias
- Des yeux plein les poches (2003, Éditions Glénat)






















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